▪ Cresce interesse em energia solar por consumidor mais jovem

O perfil do consumidor brasileiro de energia solar fotovoltaica em geração distribuída (GD) passa por transformações, que já refletem maturidade do mercado e o início da democratização da fonte. Essa é uma das conclusões do estudo sobre o mercado brasileiro de GD solar realizado pela empresa de consultoria e pesquisa Greener.

Foram entrevistadas 2.104 empresas integradoras no período de 21 de maio a 30 de junho de 2020, com uma amostragem de empresas de todo o país, de variados portes e idades, em uma amostra heterogênea do mercado de integração fotovoltaica. O estudo é realizado semestralmente desde 2016.

Nesta edição, a Greener acompanhou o mercado de GD também sobre a esfera do cliente final. A pesquisa contou com uma amostra aleatória de 410 proprietários pessoa física de sistemas fotovoltaicos de todas as macrorregiões do Brasil, que adquiriram seus sistemas a partir de 2017.

Uma das conclusões é de que os sistemas fotovoltaicos estão sendo acessados por um público cada vez mais jovem: das instalações realizadas em 2020, 55% dos titulares possui menos de 50 anos; em 2017, era 22% do público.

O maior interesse em sistemas fotovoltaicos vem dos clientes residenciais: 74% das empresas afirmaram que clientes residenciais tiveram interesse em sistemas fotovoltaicos durante a pandemia de Covid-19; para 40% das empresas, o interesse foi maior do comércio essencial; e para 18%, a demanda foi maior por clientes do segmento rural. 

A pesquisa também revelou a ampliação das classes menos favorecidas no acesso à geração distribuída. Ainda que baixa, a taxa de aquisição de sistemas fotovoltaicos por titulares pertencentes aos grupos C e D está crescendo; em 2017, não havia, nas amostras pesquisadas, consumidores da classe D entre os proprietários de sistemas; em 2020, o percentual de clientes dessa faixa de renda está em torno de 10%. 

A Greener destaca que a metodologia de classificação de extratos sociais utilizada no estudo não é a mesma do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas leva em consideração renda e outros fatores. 

De acordo com Marcio Takata, diretor da empresa, as classes menos favorecidas passaram a ganhar maior representatividade na GD a partir de 2018. “Não é só o topo da pirâmide que está tendo acesso à energia solar. Começamos a perceber a ampliação do público e esse é um indicador importante do desenvolvimento da tecnologia fotovoltaica no Brasil”, explica.

A ampliação do acesso à energia fotovoltaica é fruto da redução dos preços dos sistemas de geração distribuída, do aumento do conhecimento sobre a tecnologia e da maior oferta de financiamento – hoje bancos públicos, privados, cooperativas de crédito e fintechs já oferecem linhas de crédito competitivas e alinhadas com o perfil de investimento na geração distribuída. 

Outra hipótese para a ampliação do acesso das classes C e D à energia fotovoltaica são políticas públicas de incentivo ao setor, tanto em termos de desoneração tributária dos sistemas, que os tornam mais atrativos, quanto na utilização de sistemas fotovoltaicos nas políticas de habitação popular. 

De acordo com Takata, não é possível aferir, pelo estudo, o peso que as políticas públicas têm na democratização do acesso à energia solar. “O ponto fundamental é que a energia solar está se tornando mais popular: as pessoas começam a ver sistemas fotovoltaicos sendo instalados na vizinhança, pensam que podem ter acesso também e buscam informação”, diz.

Fonte: Porta Solar – Andrea Vialli

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